NIGHT SESSION
» Entrevista com Dj Nanddo , um dos idealizadores do projeto Ziriguidrum!!
Debby- Nanddo, como foi seu início como DJ? Comente .
Nanddo- Meu início não foi diferente dos DJ´s mais das antigas. Lembro-me que estava na 7ª série e conheci um grande amigo chamado Lennon, na época tinha me transferido de escola e quando cheguei ao novo colégio logo peguei amizade com este amigo, pois ele era a única pessoa do colégio que curtia as mesmas músicas que eu. O legal é que na época eu era já bem eletivo. Escutava muitos programas de rádio como Metrô Mix, Sound Factory, Lunch Break da antiga nova FM entre tantos e me lembro que muitos amigos me chamavam de maluco, pois eu amava um estilo novo na época chamado underground. Esse meu amigo tem um irmão mais velho e esse irmão chamado Cristofer era DJ, tinha uma equipe de som, e o Lennon começou a freqüentar as festas, ir à clubs da época e descobrimos os mesmos gostos pela música. Foi ai que decidimos montar nossa equipe de som, chamava-se Garage, nome que escolhemos pelo gosto do estilo Garage Music. Montamos esta equipe, juntávamos dinheiro, moedas tudo que vinha pra comprar equipamentos e começar fazer festinhas de Garagem, aniversários e outras coisas. Foi muito legal porque me lembro que escutando programas de rádio comecei a descobrir DJ´s absurdos como Marky, Andy, Ricardo Guedes, Julião, nossa tantos que se eu for colocar aqui não caberia (risos). E eu sonhava um dia me tornar um DJ assim como esses tantos e quando fui à casa do Lennon pela primeira vez, vi o Cris tocando com duas Vitrolas, um monte de vinil, e ele me deixou mexer um pouco, tentando me mostrar seu trampo, eu me apaixonei na hora. Foi ai que eu decidi, quero ser um DJ.
Debby- Qual o estilo que tocava quando iniciou? Qual seu estilo musical atualmente?
Nanddo- Bom nessa fase eu fazia festas pra ganhar grana e comprar equipamentos, e fui começar com speed garage, garage, house, e me lembro que três estilos me chamaram muita atenção. O Jungle, Hardcore e o Break Beat. Inevitável. A veia do garoto aqui que não é tão garoto assim, pulsou mais forte. Nossa lembro-me dos discos nacionais, os famosos piratinhas que vendiam na galeria 24 de maio, com compilações absurdas como Pitch Loco, Real Hardcore, Jungle Sounds etc., e o quanto de grana não gastei (risos).
Debby- Quais são suas influências musicais?
Nanddo- Sou amante da boa música, adoro qualquer estilo ou música, pra você ter noção, sou músico, toco piano e fiz 11 anos de piano clássico e MPB, todo e qualquer forma musical, tendo qualidade me atrai. Malucos como Jamiroquai, Cold play, Ray Packer Jr., que nem são do meio da música eletrônica, por exemplo, me deixa feliz, pois são músicas de qualidade, e que arregaça, como eu disse, não tem como colocar todo mundo aqui. Mas na música eletrônica Prodigy, Chemical Brothers, Nookie, Dilinja, Tom & Jerry, Krome & Time, Zinc, Hype. Uma infinidade de gente muito boa me faz a cabeça e foi determinante pra eu ser o que sou hoje e gostar do que curto hoje. Hoje meu estilo é o Drum and Bass que é uma das minhas paixões, mais amo Old School, e até um bom House faz minha cabeça.
Debby- No início todo DJ tem dificuldades para comprar equipamentos, pois tudo é muito caro. Hoje em dia, ser DJ se tornou mais fácil e também mais acessível com a vinda dos softwares . O DJ nem sempre precisa tocar com todo equipamento . De sua opinião sobre essa afirmação.Ou se não concorda explique o por quê?
Nanddo- Realmente a vida do DJ não é nada fácil no começo. Equipamentos caros, na minha época era um verdadeiro sonho poder ter um par de MK2 por exemplo. Hoje com a economia mais estável, sem taxas de inflação altas, as coisas melhoraram, mas qualquer equipamento de ponta vai ser caro, o que melhorou foram marcar novas, mais variedade e com isso melhores preços. Mas como diz a pergunta, os softwares e a tecnologia também vieram pra somar positiva e negativamente. Positivamente pois você produzir, vender suas faixas e sair em selos ficou ao alcance de quem se dedica. Antigamente só quem tinha samplers, sinths, e muitos instrumentos analógicos conseguiam fazer o que hoje um Ableton, um Reason ou um Cubase faz. Mas a parte negativa é que muitas pessoas se passam por DJs, pois tem acesso fácil a softwares que fazem o trabalho do DJ quase no automático e muitas vezes banalizam o profissional cobrando preços abaixo para fazer festas particulares por exemplo, e julgam ser DJ´s. Esse ponto da facilidade de se conseguir fazer mixagens, produções e outras coisas me deixam triste pois a população que não tem conhecimento não sabe dar valor para o verdadeiro DJ. Esse profissionalismo que eu julgo ser ruim. Mas a tecnologia em si, veio, somou e ajuda até mesmo, nós profissionais a sempre estar inovando, e deixando a cena com um ar sofisticado.
Debby- Quais os principais projetos ou casas que tocou ?
Nanddo- Hoje faço parte de alguns projetos. Há dois anos me mudei para o Espírito Santo e lá fiz diversos eventos. Juntei-me com uma super galera de bons DJs, DJ Quadrini, Marlon, Sybel e Luis Claudio, e o Locutor Rogério Lima e juntos apresentávamos o programa Hi Tech, programa de música eletrônica em uma rádio FM do estado que está no ar há nove anos e em maio completaria 10 anos de existência, mas por força maior e decisão de uma nova diretoria da rádio, o novo diretor resolveu mudar a grade de programação e infelizmente acabou mês passado. Mas tenho parcerias com a Secretária de Cultura de Vila Velha no ES levando em eventos grandes a música eletrônica para os Capixabas, também tenho parceria com um projeto chamado Omelete Marginal, que visa premiar por votação popular os melhores artistas capixabas do ano. Esse projeto tem apoio da Rede Globo no ES, da Vivo também e eu sou um dos DJs convidados a me apresentar nos eventos. E aqui em são Paulo sou um dos idealizadores do projeto Ziriguidrum, um projeto de música eletrônica que tem o intuito de levar muito drum and bass, mas que também tem o intuito de tocar muita influencia de Nu Jazz, R&B e vertentes. Esse projeto teve inicio em 2007 com meu amigo Thiago Um e hoje após minha ida para o ES teve a entrada do grande DJ Slim, e ta sendo um sucesso absoluto graças a Deus. Tocar, nossa já toquei em muitos lugares, Áudio Delicatessen onde a Ziriguidrum iniciou, Mary Pop, Clubinho, festas como a Drum Friends de Jundiaí, Grooveria AS, University Party, Eletronic Park no ES, Oasis Club, Vila Velha Verão 2010 na praia da Costa ES, etc.
Debby- Você foi um dos idealizadores de um dos projetos mais bem conceituados na cena drum bass atualmente. É verdade que você ainda tem o rascunho desse projeto ?
Nanddo- Verdade, lembro-me que eu e o Thiago estávamos conversando e querendo fazer uma festa a um bom tempo, foram diversas reuniões e um dia na minha casa resolvemos pesquisar na internet, possíveis lugares para se fazer a festa e ai escrevemos os possíveis lugares, os contatos e eu comecei a ligar e marcar, foi neste dia que marquei com o Marcos, proprietário do Áudio Delicatessen uma visita no club e depois de algumas negociações fechamos uma noite de experiência, fomos a vários outros lugares mais o Áudio foi o lugar que mais nos deixou animado pois é um ambiente de fácil acesso, era algo novo do que vinha sendo praticado em outras festas, um local relativamente pequeno, mas familiar, aconchegante, com um bom som e era simplesmente perfeito para o que agente tinha pensado. E minha maior surpresa foi que há uns meses atrás procurando outra coisa acho este papel, do nosso rascunho de contatos e vejo hoje o que se tornou a Ziriguidrum. É muito orgulho poder fazer parte dessa história.
Debby- O que você acha do segmento de drum bass no Brasil? Existe mesmo a famosa ``PANELA``? Há algo a ser melhorado?
Nanddo- Polêmica essa pergunta, porque isso é muito pessoal e mas acho que sempre tem algo a melhorar. Panela é algo que existe em todos os segmentos da sociedade, sempre terá pessoas mais bem relacionadas ou beneficiadas com determinadas situações mais eu particularmente desejo não ver o drum and bass e as pessoas que fazem o drum and bass acontecer com possíveis panelas. Acredito que se existe um DJ tocando em um mega evento ele mereceu por algum motivo estar lá. Não desmereço nenhum profissional, apenas acho infelizmente que o drum and bass é uma classe muito desunida. Poucas pessoas que realmente se comprometem em fazer uma coisa diferente, fazer uma festa, procurar um espaço em casas noturnas e esses sempre são muitas vezes criticados pelos próprios amantes do drum and bass, pois você nunca agrada a todos. E quando você convida pessoas a irem às suas festas, ou as pessoas vão e alguns criticam, falam mal, querem sempre entrar VIP, quando conseguem não consomem nada no bar, ou seja. Como o Drum and Bass conseguira sobreviver se as próprias pessoas que se dizem amantes do drum and bass não ajudam a cena?. É uma questão complicada, o dinheiro manda em tudo, sem retorno um dono de um club jamais vai querer dar oportunidade, sem oportunidade de se ter um local bacana pra fazer festas o DB corre o risco de não haver mais seu espaço, sem a popularização do DB infelizmente as portas se fecham e tudo porque quando tem festas, ou o povo não vai, ou quando vai sempre não quer pagar, e mesmo entrando vip não dão retorno ao club, mais sempre para ter a presença da galera, tem que ter super red line, e sempre inovando. Complicado fazer festas no Brasil por falta de compreensão do público que não vê que por causa de nós mesmos podemos complicar ainda mais a cena que já teve um boom meteórico e acredito que por falta de maturidade de quem tinha as oportunidades não souberam popularizar o drum and bass. E a outra parcela de culpa é dos que carregam o piano hoje, tem que se ter a visão que existe muitas pessoas com muito talento e que não tiveram ainda uma oportunidade, e uma renovação na cena é necessária sim. Mas pra isso mentalidades, tanto de organizadores, DJs, e público tem que mudar. O DB tem seu espaço, as melhores tendas de grandes eventos sempre foram as de Drum and Bass, mas há de se ter conscientização de ver que tudo vai tempo, dinheiro, empenho e merece acima de tudo respeito.
Debby- Recentemente chegado do Espírito Santo e voltando em definitivo para São Paulo, o que pensa em realizar futuramente musicalmente falando? Possui projetos para este ano de 2010?
Nanddo- Sempre temos sonhos, quero ver a Ziriguidrum crescer, se tornar ainda maior, mas desejo de coração isso a todos os belos projetos de drum and bass do país, só assim teremos a tão sonhada cena bombástica que todos deste meio estão querendo. São pessoas como a galera da Movement, Liquid, Deep, Garage, Tendence e tantas outras que fazem isso não morrer, e merecem respeito e admiração de todos. E projetos é de continuar sempre investindo no ES que tem um baita potencial para crescer no cenário da Música, mas precisa de incentivo e apoio pois existem muita gente boa lá, pretendo fazer em parceria com amigos um projeto voltado para o House, um sonho de infância, procurar uma nova rádio pra dar continuidade para o trabalho, de preferência com a galera do Hi Tech, e fazer muitos eventos de ponta sempre na humildade, sem querer o espaço de ninguém, respeitando a todos. E aproveitando agradeço muito a Deus por ter me dado a oportunidade de realizar um sonho e hoje ter oportunidades e fazer parte de uma história bacana e pessoas importantes na minha vida que me ajudaram muito a chegar aqui como Lennon, Cristofer, Junior Deep e Guilherme Lopes do Drumagick, Fabio Casanova, Rodrigo Marques, Quadrini, Marlon, Luiz Claudio e Rogério Lima, e claro, grande Thiago Un e Slim, parceiros do DNB e claro da minha esposa Marcela que sempre me apoiou muito e sempre ajudou nos meus projetos e sonhos. Que fazem parte ativamente da minha vida e que incentivam e incentivaram muito na minha carreira. Obrigado a todos que acreditam no meu trabalho, curtem e convido a todos a participarem da Ziriguidrum. Agradecimento especial a você Debby por essa oportunidade e até uma próxima oportunidade.
Contatos:
fhbispo@hotmail.com
Podcasts: djnanddo.podomatic.com
My Space: www.myspace.com/djnanddo
Dj Debby
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