NIGHT SESSION
» Entrevista com Alessandra Soares
Debby- Alessandra, conte um pouco sobre o início de sua trajetória como dj e se houveram dificuldades? Quais foram?
Alessandra- Desde pequena sempre gostei muito de música e de rádio. Quando eu tinha 11 anos, fui a uma festa pela primeira vez. Naquela época, 1989, existiam as equipes de som. Eu me encantei com o trabalho de um cara, que tempos depois fui descobrir que era o DJ. Enquanto as minhas amigas estavam preocupadas em paquerar, acho que nem existia o termo “ficar”, eu só queria prestar atenção nas músicas, naquele trabalho de colocar uma seguida da outra, sem dar buraco. O DJ ficava escondido num lugar sem nenhuma iluminação. O tempo foi passando. Fui pesquisar sobre quem fazia aquele trabalho. Continuei saindo e ouvindo muito ao rádio. Ouvia a Band FM, que tinha programa com DJs de black e a rádio Cidade. Depois descobri a Nova e a Metropolitana. Gravava fitas e mais fitas dos programas das casas noturnas com os DJs. Ouvindo a esses programas, conheci alguns lugares que passei a freqüentar como Contramão, Toco, Overnight, Sound Factory, Columbia, Arena e Palácio. A música foi evoluindo. Quando eu ouvi o hardcore pela primeira vez, fiquei alucinada! Foi aí que surgiu a idéia de querer tocar. O problema – e por isso não comecei a tocar mais cedo – era a falta de dinheiro e de informação, ainda mais quando eu mudei para o interior. Nem sonhava com internet, globalização, a rapidez que existe hoje em termos de troca de informação. Freqüentando as noites, conheci pessoas essenciais como o Andy, Marky, Patife e Koloral, que foram os primeiros com quem tive contato. Eu ficava enlouquecida de ver o Marky e o Andy tocando. As pessoas que acompanham meu trabalho sabem da admiração que eu tenho pelo Andy, não só por ele, mas por outros DJs também. Mas ele de certa forma sempre foi uma referência. Em 2000 eu coloquei na cabeça que tinha que ir para Londres. Juntei uma grana e fui. Eu precisava ver e ouvir, com meus próprios ouvidos. Quando cheguei lá, a vontade que eu alimentei durante todos aqueles anos multiplicou! O dia em que pisei na festa da Metalheadz, falei pra mim mesma: “eu vou tocar drum’n bass!”. Depois vi o Marky, o Patife e o Koloral tocando na Movement, aquela vibe, ouvi o Fabio tocar o remix do Patife “Pra Você Rembrar”, foi emoção demais para uma pessoa só! Voltei decidida a investir tempo e dinheiro nisso. Em 2002 eu comecei a tocar. O Marnel e o Cleber foram os primeiros a ouvir meu “projeto de set”, cheio de Bad Company, Ed Rush & Optical, Digital e Spirit, mas foi um cara que eu admiro e respeito muito, chamado Daniel Maia, o primeiro a me colocar para tocar, na Drumnation em BH. Março de 2002, foi ali onde tudo começou... A principal dificuldade era ser mulher numa cena ainda tão cheia de homens.
Debby- A alguns anos atrás haviam poucas dj´s femininas. Algum dia você sofreu preconceito nas pistas em relação a isso?
Alessandra- Nunca por parte do público a quem devo eterna gratidão pois as pessoas que freqüentam as festas e conhecem meu trabalho sempre tiveram muito carinho e respeito por mim, mas por parte de organizadores e alguns Djs sim.
Debby- Todo dj já pagou algum mico um dia na vida...rsss . Você já pagou algum mico? Qual foi o mais engraçado?
Alessandra- Não sei se o mais engraçado, mas o pior foi na minha primeira participação na festa Vapour. Eu, nervosa, tirei o disco errado, o que estava tocando, e dei branco na pista. Nem preciso dizer que todos ficaram parados olhando pra minha cara e eu roxa, desesperada de vergonha...
Debby- Sempre tocou drum bass? Por que escolheu esse estilo ? Qual sua linha neste segmento ?
Alessandra- Sim, pra sempre drum’n bass! Não dá, não consigo me imaginar tocando outro estilo.
Debby- Você além de dj , já produziu algum trabalho próprio ou tem planos futuros para produção musical?
Alessandra- Em 2003/2004, eu tentei produzir algo com dois parceiros, a Vera Medina e o Marcelo, mas naquela época achava que ainda faltava “amadurecer” para depois produzir e deixei para mais tarde. Fui priorizando outras coisas e nunca mais toquei num programa...
Debby- A algum tempo atrás o drum bass veio se esvaindo aos poucos com o fechamento de diversas casas noturnas e por pouco ficou em extinção deixando os junglist de plantão quase órfãos. De uns tempos para cá está voltando com força total com novos projetos, novos dj´s e inclusive muitas dj´s femininas na cena. O que acha de tudo isso?
Alessandra- Acho ótimo! A música é rica, inteligente, temos bons DJs, bons produtores e um universo a ser explorado. Trabalhando com seriedade e respeito vamos longe. Assim nascem novas idéias, novas influências e com certeza muita música boa!
Debby- Quais os principais projetos / casas que já tocou e quais as que deixaram saudades?
Alessandra- Já toquei no Cabral, na Overnight, na Coqueluche em Mauá, nas festas The Bass, Vibe, Vapour, Tune, F.E.V.E.R, Subgrave, Nation, entre outras, e em Belo Horizonte, Uberaba, Brasília, João Pessoa, Recife, Franca, São José dos Campos, Sorocaba, Campinas e Valinhos. Eu sinto falta da fase 1998/2004...
Debby- É residente de alguma casa atualmente? Tem planos para 2010? Quais?
Alessandra- Atualmente estou me dedicando a minha filha que nasceu agora. Quando acabar a licença maternidade eu volto a trabalhar. Não tenho nada fechado por enquanto mas nos vemos nas pistas em breve!
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Dj Debby
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